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Escrito por Gabriele Greggersen   
Ter, 17 de Junho de 2008 05:48

Dúvidas Freqüentes à Administradora do Site

Pergunta

Nunca ouvi falar de C.S. Lewis e muito menos li seus livros. Que obras dele você recomenda, que já foram traduzidas para o português e quais estão disponíveis?


Gabriele
Bem, se não sabe muita coisa sobre o autor, sugiro uma pesquisa rápida no wikipédia, no wapedia, na enciclopédia encarta e outras enciclopédias internacionais. Apesar de termos ainda poucas obras traduzidas, nossa sorte é que os seus grandes clássicos apologéticos, Cristianismo Puro e SimplesSurpreendido pela Alegria (1), e os dois grandes clássicos de ficção, As Crônicas de Nárnia e Cartas de um Diabo a seu Aprendiz, possuem versões atualíssimas para o português.Mas é claro que quem começou a provar do estilo lewisiano de escrever, e aprender a apreciá-lo, não quererá parar por aí. e sua autobiografia
Temos assim:
  • Cristianismo Puro e Simples (Martins Fontes) ou Mero Cristianismo (Quadrante) ou outras edições anteriores (das editoras A.B.U. e a Betânia, por exemplo).
  • Milagres (Ed. Vida);
  • Os Quatro Amores (Martins Fontes);
  • Cartas de um Diabo a seu Aprendiz (Martins Fontes/Vozes) ou Cartas do Coisa-Ruim (Loyola);
  • Crônicas de Nárnia (vários tipos de edições, inclusive versões especiais para crianças menores pela Martins Fontes);
  • A Abolição do Homem (Martins Fontes);
  • Surpreendido pela Alegria (Mundo Cristão);
  • O Peso da Glória (Vida Nova);
  • O Grande Abismo (Ed. Vida);
  • O Problema do Sofrimento (Ed. Vida);
  • Cartas de uma Senhora Americana (Ed. Vida)

Os seguintes livros estão esgotados, mas já ouvi "um passarinho dizer" que está na fila para publicação pela Martins Fontes (incl. com o terceiro da série espacial That Hideous Strength - Essa Força Medonha, ainda inédito em português do Brasil):

  • Longe do Planeta Silencioso (Betânia);
  • Perelandra (Betânia)

Recomendo ainda as seguintes obras sobre C. S. Lewis

  • C.S. Lewis - O Mais Relutante dos Convertidos (Ed. Vida) de David Downing
  • A Antropologia Filosófica de C. S. Lewis (Ed. Mackenzie) de Gabriele Greggersen;
  • A Magia das Crônicas de Nárnia I (GW Editora) de Gabriele Greggersen
  • O Evangelho de Nárnia (Vida Nova) de Gabriele Greggersen (org) et all
  • Pedagogia cristã na obra de CS Lewis (Ed. Vida) de Gabriele Greggersen;
  • Um Ano com C. S. Lewis - Leituras diárias de suas obras clássicas (trad. Gabriele Greggersen - Ed. Ultimato)
  • C.S. Lewis e Freud debatem Deus, amor, sexo e o sentido da vida (trad. Gabriele Greggersen - Ed. Ultimato) de Armand Nicholi
  • Manual Prático de Nárnia (ed. Novo Século) de Colin Duriez,
  • O Imaginário em As Crônicas de Nárnia (ed. Mundo Cristão) de Glauco Magalhães Filho.
  • A biblioteca de C.S.Lewis de James Stuart Bell, Anthony Palmer Dawson (Mundo Cristão).
  • A Alma de O Leão, a Feiticeira e o Guarda-roupa(Ed, Habacuc) de Gene Veith
  • Lições das Crônicas de Nárnia (ed. Abba Press) de Glauco B. Magalhães Filho.
  • O Dom da Amizade: Tolkien e C.S. Lewis (Martins Fontes) de Colin Duriez.


Há ainda muitas bibliografias completas em inglês, com resenha das obras em inglês pode ser encontrada em:
http://cslewis.drzeus.net/books/

Recomendo ainda o site http://www.mundonarnia.com/livrossobreolivro.php para novidades e compras pela net.

Nota
(1) Você deve ter estranhado eu ter classificado sua autobiografia como obra apologética. Bem, na verdade, todas as biografias e auto-biografias de pessoas cristãs ou convertidas a qualquer outra religião acabam assumindo um caráter apologético, no sentido de defesa daquela religião, pela força do exemplo. Mas não se trata necessariamente, como podemos ver em Surpreendido pela Alegria, de nenhuma apologética impositiva ou manipuladora ou "proselitista" no sentido pejorativo...



Pergunta

Existem livros eletrônicos? Onde eu posso baixá-los?


Gabriele
Com toda obra estava esgotada até bem pouco tempo atrás, muitas versões mais antigas dos livros já estão em domínio público, o que é o terror das editoras, já que acaba se tornando uma concorrência forte. A desvantagem de baixar essas versões "pirata" é que muitas dessas traduções estão mal feitas, contém erros de digitação e escaneamento e são mais difíceis de ler para quem não tem hábito de ler livros inteiros na telinha. Algumas traduções, como as da trilogia espacial, também foram feitas em português de Portugal, contendo alguns traços de estilo e palavras que não correspondem ao uso no Brasil. Então, recomendo sempre a aquisição das traduções e revisões atuais. Nada como ter uma boa biblioteca física em casa ou na igreja, que pode vir a ser bênção para muitas pessoas. E, se alguém souber de algum comércio ilícito em cima das obras sob proteção das leis de direito autoral, peço que denuncie às respectivas editoras que detêm os direitos das versões mais recentes.



Pergunta

Por onde eu posso acompanhar as últimas novidades sobre a produção dos filmes de Nárnia, a começar pelo O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupas e de Príncipe Caspian, que já sairam nos cinemas?


Gabriele
Se você lê o inglês razoavelmente, poderá acompanhar pelo site da "Narnia web"
http://www.narniaweb.com/

Mas já existem vários sites bons em português, como oPortal C.S. Lewis http://portal-narnia.zip.net/ e a Sociedade C.S. Lewis do Brasilhttp://cslewisbr.org/ e todos os demais links de blogs e sites para crianças a eles acrescentados.

Outro site bom para acompanhar os filmes é:

http://www.omelete.com.br/cinema/news/base_para_news.asp?artigo=12829
Clique em "leia mais" e terá muita informação, imagens e recursos bacanas.





Pergunta
Em que ordem as Crônicas foram escritas e em que ordem você recomenda lê-las?

Gabriele
Lewis começou a escrever os livros nessa ordem: O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupas (LFG), Príncipe Caspian (PC), A Viagem do Peregrino da Alvorada (VPA), O Cavalo e seu Menino (CM), Cadeira de Prata (CP), O Sobrinho do Mago (SM), A Última Batalha (UB). Para visualizar melhor, temos a seguinte ordem original de publicação:

Ano Livro
1950 O Leão, A Feiticeira e o Guarda-Roupa
1951 Príncipe Caspian
1952 A Viagem do Peregrino da Alvorada
1953 A Cadeira de Prata
1954 O Cavalo e seu Menino
1955 O Sobrinho do Mago
1956 A Última Batalha


Então, as editoras britâncias resolveram publicá-los nessa mesma ordem: LFG, PC, VPA, CP, CM, SM, UB. Mais recentemente, os livros foram publicados na seguinte ordem pelas editoras americanas: SM, LFG, CM, PC, VPA, CP, UB.

Ano Livro
1955 O Sobrinho do Mago
1950 O Leão, A Feiticeira e o Guarda-Roupa
1954 O Cavalo e seu Menino (porque os acontecimentos dessa crônica são mencionados em LFG)
1951 Príncipe Caspian
1952 A Viagem do Peregrino da Alvorada
1953 A Cadeira de Prata
1956 A Última Batalha


A Martins Fontes seguiu essa última ordem.
Recomendo, em todos os casos, como é praticamente uma unanimidade entre os conhecedores de Lewis, ao contrário dos seus editores, que aquele que não conhece nada de Lewis ou das Crônicas, comece pelo O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa, o primeiro a sair também na versão de cinema, e que nos dá uma melhor idéia da complexidade (geografia, história, contexto político-social, etc.) do mundo de Nárnia e da mente do seu autor. Depois, O Sobrinho do Mago pode ser entendido como flash-back. A ordem daí para frente, desde que se deixe A Última Batalha para o final é a meu ver indiferente. O que recomendo é que se procure ler o livro antes de ver o filme, para evitar pré-julgamentos.



Pergunta

C.S Lewis tinha alguma orientação religiosa? Ele era cristão?


Gabriele
Sim, um dos mais autênticos que já "conheci", o que é corroborado por pessoas que o conheceram pessoalmente. Mas não é preciso ser cristão para curtir os seus livros, muito menos, ter medo de que ele faça alguma "lavagem cerebral" contigo. A tese de que um autor consegue passar mensagens subliminares em livros, filmes ou na música já foi refutada faz tempo. O nosso relacionamento com livros e seus autores é semelhante ao que acontece no relacionamento com pessoas: todas elas acabam nos influenciando de uma forma ou de outra, ao mesmo tempo em que são influenciadas. No caso do livro, nosso maior poder está na interpretação da história, que sempre tem um toque pessoal. Conheço pessoas que curtem as Crônicas de Nárnia e muito mais ainda, O Senhor dos Anéis, sem nunca terem pensado mais a sério sobre o cristianismo. Por outro lado, quem buscar, achará os conteúdos religiosos em dois tempos. Para bom entendedor, já sabem... Cabe a nós separar o joio do trigo, ou seja, discernir a que tipo de influência queremos nos deixar submeter e a qual não. Jamais poderemos acusar um autor, principalmente de ficção por ter "feito a nossa cabeça" em termos religiosos ou em outras áreas, sem que tenhamos dado nossa permissão para isso.
A história do longo e surpreendente processo de conversão de Lewis do ateísmo até o anglicanismo está descrita na sua auto-biografia: Surpreendido pela Alegria (Mundo Cristão). A excelente biografia O mais Relutante dos Convertidos (Ed. Vida) de David Downing complementa bem o auto-retrato do autor.Infelizmente há diversos leitores dos dois extremos, cristãos fundamentalistas e ateus radicais (ou democratas liberais, que aplicam a filosofia liberal à religião) criticam Lewis por seu cristianismo explícito, considerando-o um pecado capital contra as suas respectivas filosofias religiosas. Esquecem-se de que a liberdade religiosa é um direito garantidos pela Declaração Universal dos Direitos do Homem, bem como pelas Constituições Nacionais da maior parte dos países democráticos de hoje (inclusive a brasileira), e isso se aplica também a autores (e professores).




Pergunta
Qual a relação de C.S. Lewis com J.R.R. Tolkien?

Gabriele
Eles se conheceram quando Tolkien já era professor em Oxford. Lewis mesmo levou muitos anos para conseguir uma cadeira naquela universidade pelo fato mesmo de ter sido um cristão e não tê-lo escondido. Além desse, o outro fato que gerava muito preconceito entre seus colegas do mundo acadêmico era o de terem se tornado autores populares de obras de ficção pouco ou nada "científicas"... A primeira impressão que Lewis registra em seu diário sobre Tolkien foi a do "filólogo" e "papista", dois tipos de pessoas de que Jack havia sido alertado para manter distância. Então ela não foi das melhores, mas depois eles acabaram desenvolvendo uma amizade profunda, que se aprofundou depois que Lewis se converteu, em grande parte por influência do próprio Tolkien e mais alguns professores cristãos, que Lewis descobriu com espanto, provavam ser até inteligentes!
Além de escrever ficção, eles compartilhavam pelo menos outros quatro prazeres: a mitologia; a natureza, especialmente animais e árvores; um bom happy hour nos clubs depois do serviço; e a amizade.
Veja mais a esse respeito no meu livro O Senhor dos Anéis: da fantasia à ética (Editora Ultimato). Você também pode adquirir o livro via site.



Pergunta
Posso contribuir com esse site?

Gabriele
É claro, com prazer! É só participar dos fóruns, bate-papos dos cursos on line ou me enviar seu artigo pelo fale conosco desse site.




Pergunta
O que é significa o título do filme Shadowlands (Terra das Sombras), etrelando Anthony Hopkins no papel de C.S. Lewis?

Gabriele
Originalmente, foi uma peça de teatro que retratava a amizade e casamento de Lewis com Joy Davidman Gresham. A história foi adaptada para várias meios diferentes até hoje: para a BBC; para a TV; para o teatro; para o rádio e para os cinemas.
Provavelmente o título foi inspirado em um trecho de A Última Batalha, em que Aslam esclarece, depois do fatal desastre de trem que sofreram, que "estão todos mortos, como vocês costumavam dizer na terra das sombras...". Ou seja, a idéia é que o nosso mundo e no caso, também o de Nárnia, um mundo (sub-) criado pelo "terráqueo" Jack, não passam de reflexos do Reino de Deus, representado por Aslam em Nárnia. Essa idéia foi muito mal interpretada no filme para o cinema, embora tudo isso já possa ser lido em Platão (No mito da Caverna), como Lewis costuma lembrar em muitos dos seus escritos. É por isso que o professor de O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupas reclamava do sistema de ensino do seu tempo: "Mas, afinal, o que é que estão ensinando nessas escolas?"




Pergunta
O filme Terra das Sombras retrata bem a vida de Lewis ou é mais uma invenção hollywoodiana?

Gabriele
De acordo com Douglas Gresham, um dos filhos de Joy que eu conheci pela internet, e encontrei pessoalmente em Oxford, há várias inconsistências com relação a alguns fatos, como a omissão do seu irmão, David no filme. Imagino que isso se deveu a uma questão de economia e conveniência dos produtores do filme. Talvez também quisessem preservar a identidade desse filho, que preferiu ficar longe das câmaras de seu famoso padrasto e, ao que sabemos, também do cristianismo. Outro fato omisso foi de que quando conheceu Joy pessoalmente, Lewis já tinha ido lecionar em Cambridge, onde o esquema de aulas era um pouco diferente de Oxford, retratado no filme. Mas de uma maneira geral, o diretor conseguiu recriar bem o relacionamento dos dois e o clima que imperava no lar dos Lewis.
Anthony Hopkins disse certa vez que se trata de uma "iluminação baseada em fatos". Em entrevista ele também alega que o papel de Lewis foi um dos mais emocionantes que já havia feito até então.



Pergunta
Por onde anda e o que se fez de David Gresham?

Gabriele
De acordo com Douglas, seu irmão e o seu irmão, Douglas, ambos do primeiro casamento de Joy, ele está bem, casado, com um filho. Ele abraçou o judaísmo e está morando na Índia.



Pergunta
Lewis de fato perdeu a sua fé depois da morte de Joy?

Gabriele
Embora muitos interpretassem isso a partir do filme e do livro que ele escreveu após a morte de sua amada Joy, A Grief Observed (Anatomia de uma Dor - ed. Vida), temos fortes razões para crer que isso não aconteceu.
1. Embora Lewis realmente questionasse Deus em A Grief Observed, chamando-o de "carrasco divino", lembra muito o livro de Lamentações (tá na Bíblia para quem não sabe:). Não nos proíbe de nos queixar quando a coisa dói. Afinal, Lewis já tinha perdido a mãe aos seus nove anos de idade, depois o pai e agora a amada, todos vitimados pelo câncer ?!
2. Conheci um rapaz brasileiro que me disseram que curtia Lewis e que me surpreendeu. Quando fui lhe perguntar, que livro ele mais amava, ele mencionou este, que, além de ainda não havia sido traduzido na época, não considero exatamente "popular" ou "agradável" para a maioria das pessoas. Então ele me explicou: "É que eu acabei de perder o meu pai há alguns meses do livro me ter caído nas mãos. Ele se tornou uma das forte razões que me preservaram de desviar-me da fé cristã.
3. Depois desse, Lewis ainda escreveu um último livro, Letters to Malcolm, chiefly on prayer (Cartas a Malcolm, principalmente acerca da oração - ainda não traduzido para o português) que mostra que, ao contrário de ter perdido sua fé, Lewis se reergueu fortalecido, vivendo a última fase de sua vida, profundamente pautada pelo que Francis Schaeffer considera a "verdadeira espiritualidade".



Pergunta
E Douglas, seu irmão que aparece em Terra das Sombras?

Gabriele

Ele mesmo não escreve (só escreveu Lentenlands, uma auto-biografia, que eu siaba) , mas é um missionário, tendo uma espécie de "Labri" para ajudar aos necessitados e cuida do legado do padrasto. Ele acompanhou e continua a acompanhar de perto todos os filmes e produções sobre seu padrasto.
Mesmo não sendo escritor, ele dedicou um livro ao pai, chamado "Lenten Lands" (Terras Relacionadas) : http://www.mrrena.com/Lewis.shtml
Veja várias entrevista com ele (em inglês)

http://www.narniaweb.com/news.asp?id=239&dl=2553715.

http://www.duncanentertainment.com/interview_gresham.php

http://www.hollywoodjesus.com/comments/narnianews/2005/04/interview-with-douglas-gresham.html



Pergunta
Que significa o nome Nárnia.

Gabriele
Como se sabe, Lewis começou a se destacar em Oxford, dando aulas de filosofia e literatura antiga. Há várias referências a uma cidade da Antiguidade chamada Nárnia nos livros da área e é bem provável que Lewis tenha tropeçado nelas ao criar as histórias daquele mundo, numa espécie de homenagem. Em todos os casos, vocês não concordam que o nome combina bem com o ambiente antigo e personagens mitológicos que aparecem nas histórias?




Pergunta
Alguma obra do Lewis já foi premiada?

Gabriele
A Última Batalha ganhou o Carnegie Award, o maior e mais importante prêmio de literatura infantil do Reino Unido. O famoso presidente Winston Churchill também ofereceu a Lewis o título de cavaleiro, mas ele recusou. Em 1998, ano do centenário do seu nascimento, o governo dos Estados Unidos e da Inglaterra lançaram três selos em homenagem às Crônicas de Nárnia. Eu estive na época em Oxford para o lançamento oficial (nada de inveja
Mas sua primeira obra a receber destaque na imprensa com premiações foi Cartas de um Diabo a seu Aprendiz.Uma forma indireta de premiação é a sua presença na lista de livros recomendados pelos Ministérios Educacionais para as escolas fundamentais e médias, principalmente de países de língua inglesa. Mas no Brasil, já topei com seu nome recomendado inclusive em escolas técnicas de ensino superior (CEFET). Ele também é lembrado nas encicolpédias físicas e virtuais como autor dos mais citados em geral e em determinadas áreas, como de literatura/ficção infantil, ficção científica, teologia e crítica literária.



Pergunta
Onde eu posso achar roteiros de peças sobre os livros de Lewis?

Gabriele
Infelizmente você só achará em inglês como no Try Dramatic Publishing's web site, disponível em www.dramaticpublishing.com ou no Samuel French Theatre and Film Bookshops, disponível em www.samuelfrench.com.



Pergunta
As obras de Lewis estão sob as Leis interinacionais de Direito Autoral? Como eu entro em contato com os donos dos direitos autorais de C.S. Lewis?

Gabriele
Sim. No Brasil, alguns direitos já foram adquiridos, em sua maioria pela Editora Martins Fontes, mas também pelas demais citadas acima. Para adquirí-los, é preciso entrar em contato com a empresa inglesa:

The C.S. Lewis Co. Ltd.
First Floor
Unit 4, Old Generator House
Bourne Valley Road
Poole
Dorset
BH12 1DZ
Tel: 01202 765652
Fax: 01202 765665



Pergunta

No livro "Enciclopédia de Apologética" de Norman Geisler, Editora Vida (pág. 498), o autor apresenta trechos de livros de Lewis em que ele nega a natureza literal de muitos milagres no Antigo Testamento. Geisler apresenta ainda outras posições de Lewis que não são compatíveis com o cristianismo evangélico. O que tem a dizer sobre isso?


Gabriele
De uma maneira geral o autor dessa Enciplopédia faz uma leitura bem superficial de Lewis. Só o que ele diz sobre o AT é que Lewis tinha as suas dúvidas sobre a distinção entre mito e fato no AT. Ele cita o seguinte trecho de Milagres:
Os hebreus, como outros povos, tinham mitologia: mas, como eram o povo escolhido, sua mitologia era a mitologia escolhida - a mitologia escolhida por Deus para ser o veículo das primeiras verdades sagradas, o primeiro passo no processo que termina no NT, onde a verdade se tornou completamente histórica. Se podemos dizer com certeza onde, nesse processo de cristianização, qualquer história específica do NT cai, é outra questão. Eu acredito que as memórias da corte de Davi estão num extremo e são um pouco menos históricas que Marcos ou Atos; e que o Livro de Jonas é o outro extremo. (Milagres, 139) .

A meu ver não se pode compreender essa afirmação, sem considerar o que que Lewis, que era professor de crítica literária e literatura, entendia por mito. Eu tentei explicá-lo no artigo do site www.teologiabrasileira.com.br "O alfa e ômega do mito".
Ele mesmo diz que Lewis era extremamente cuidadoso para especificar quando o texto bíblico é uma coisa e outra. Ele confessava a sua ignorância histórica sobre o assunto e que essa era uma das razões por jamais ter reivindicado o título de teólogo. Então, não acredito que ele subscrevia a teologia de Bultmann, que considerava a Bíblia uma obra mitológica como outra qualquer, que é preciso "desmitologizar" para alcançar o conteúdo divino, nem a vertente extrema da "inerrância" da Bíblia.Mas esses cuidados não dão nenhuma base para achar que ele defendesse a teologia da evolução, por exemplo, que é um dos pontos mais polêmicos e mundialmente discutidos quanto à literalidade da interpretação bíblica. Acreditamos que essa seja uma inferência muito errada. Basta ler a trilogia espacial para se entender a profunda discordância de Lewis em relação à essência da teoria evolucionista. Sem falar da ênfase que Lewis dava ao tema da criação (e da queda e redenção), tanto nas suas obras teológicas, quanto ficcionais, com destaque às Crônicas de Nárnia. Ocuparia muito espaço citá-las todas.



Pergunta
Você acha mesmo que C.S. Lewis "pega" no Brasil?

Gabriele
Olha, minha luta tem sido um tanto "inglória" e solitária. Não que a glória fosse minha... Ela é do Senhor e não abro. Mas o fato é que tenho tido muitos contatos isolados de pessoas que lêem e curtem o Lewis no Brasil. Contatos espalhados e esporádicos, entende? Esse site serve precisamente para tentar reunir essas pessoas que, ao que tudo indica, gostam de se esconder. São uma espécie de "hobbits", que vivem nas suas tocas, percebe? Eu mesma tendo a isso, rsrs e posso entender muito bem. Mas não consigo ficar de braços cruzados à espera de Aslan. Ele certamente está "on the move" ou "a caminho". Por que você acha que os castores e os meninos não permaneceram no conforto daquele lar tão quentinho e aconchegante quando concluiram que Ele só podia estar se aproximando? Penso que está na hora dos hobbits aparecerem e se mexerem, principalmente com a repercussão de Nárnia no cinema. Lewisianos, uni-vos! Para a glória de Deus, é claro!
Muitos argumentam que o Lewis não tem nada a ver com o Brasil. Que é "britânico" demais para o nosso povo. Eu já acho que ele fala uma linguagem que apela a todo ser humano: uma linguagem universal, que é a dos grandes clássicos do patrimônio cultural comum da humanidade, que inclui os mitos e os contos de fada. E o que é mais importante e vem ganhando força nos meios seculares cada vez mais virtuais e cibernéticos: ele valoriza a imaginação, usando-a como mediador educacional. Como criaturas de Deus, criados à Sua imagem e semelhança, simplesmente não temos o direito de viver de forma pouco criativa ou pouco culta. Isso inclui a literatura, a arte mesmo aquel que não pode ser classificada como "cristã" (se é que existe arte "não-cristã"). E como cristãos, mais do que nunca, somos vocacionados a educar e usar a nossa imaginação para o Reino de Deus, da mesma forma que nossa razão, emoções, etc., numa proposta de educação integral. Bem, você vai me perguntar: E o que isso tem a ver com a repercussão de Lewis no Brasil? Tudinho, meus caros! Quer povo mais criativo do que o brasileiro? O personagem Pedro (Crônicas de Nárnia) não tem tudo a ver com o Pedrinho do Sítio do Picapau Amarelo? A Cuca, com o Diabo de Cartas de um Diabo a seu Aprendiz? E o Brejeiro (Cadeira de Prata), com o Jeca Tatu? Enfim, espero que esses poucos e limitados esclarecimentos possam incitar a imaginação dos leitores desse site a colaborar ativamente com seus dons e ministérios para essa empreitada...

Última atualização em Ter, 20 de Outubro de 2009 15:05